Rei Davi

O filme "Rei Davi" (original: King David), de 1985, dirigido pelo australiano Bruce Beresford, traz o aclamado ator Richard Gere no papel do maior rei de Israel, de acordo com o Antigo Testamento, mais precisamente nos livros I Samuel, I Reis e I Crônicas.

 
O Senhor Deus havia se arrependido de ter escolhido Saul como rei de Israel, e ordenou que o Juíz e Profeta Samuel ungisse um novo rei que seria indicado por Ele, para ser o sucessor do Rei Saul.
 
Assim Deus indicou o jovem Davi, um pastor de ovelhas, filho de Jessé (ou Isaí), da tribo de Judá.
O Senhor havia mandado Samuel procurar um dos filhos de Jessé mas não tinha deixado claro qual deles seria o escolhido. Samuel então avaliou um por um, todos fortes e imponentes, mas nenhum era o aprovado pelo Senhor.
 
Deus disse a Samuel: "Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração." I Sm 16, 6-7
 
Samuel já não sabia mais o que fazer, pois nenhum dos filhos era o escolhido e perguntou então a Jessé se não havia mesmo mais nenhum. Ele então disse que havia mais um, o filho mais novo que estava pastoreando ovelhas. Quando o viu, o Senhor disse a Samuel: "Vamos, unge-o: é ele." I Sm 16, 12
 
Davi era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. I Sm 16, 12
 
 
O rei Saul já vinha perdendo as graças do Espírito do Senhor e às vezes um espírito mau se apoderava dele, enviado por Deus, que já tinha seu plano traçado.
 
Nesses momentos de fúria sob influência desse espírito mau, somente o suave som da harpa era capaz de acalmar o rei. Assim seus servos procuraram um bom tocador de harpa, e encontraram o jovem Davi.
 
Saul logo se afeiçoou por Davi e pediu ao pai do rapaz que o deixasse com ele como seu escudeiro. Assim ele tocava a harpa sempre que o rei estava tomado pelo mau espírito. (ISm 16, 14-23)
 
O que Saul ainda não sabia é que Davi já havia sido ungido por Samuel para se tornar o próximo rei de Israel.
 

Davi e Golias

 
O jovem Davi continuava sua vida como um simples pastor enquanto seus irmãos mais velhos serviam ao exército do rei Saul, na guerra contra os filisteus.
 
Um certo dia, o gigante filisteu Golias fez um desafio ao exército de Israel: se algum soldado israelita o derrotasse, os filisteus seriam seus escravos, mas se ocorresse o contrário, os israelitas seriam escravos dos filisteus.
 
O rei Saul havia prometido a mão de sua filha em casamento ao soldado que conseguisse derrotar Gol...ias, além da isenção de impostos à sua família, mesmo assim ninguém se apresentou.
 
O frágil Davi, que havia deixado suas ovelhas com outro pastor para procurar por seus irmãos, chegou ao acampamento exatamente no momento em que Golias fazia o desafio e zombava da fé do povo de Deus.
 
Davi, tomado de cólera e de toda a confiança no Espírito do Senhor, sob o olhar incrédulo de seus companheiros, partiu para o duelo com Golias armado apenas com seu cajado de pastor e um alforje com cinco pedras, que arremessou e acertou mortalmente a fronte do gigante. ISm 17, 1-58

 

Amizade de Jônatas e Davi

 
Depois do episódio da vitória de Davi sobre o gigante Golias, o rapaz ficou morando no palácio com a família de Saul, e deveria se casar com a filha mais velha do rei como prêmio pelo seu feito heróico. No entanto ela já havia sido dada em casamento a outro homem.

Jônatas, filho de Saul, desenvolveu um profundo amor fraternal por Davi, e ambos estabeleceram uma forte aliança de amizade que duraria para sempre.

Dali em diante o jovem Davi passou a lutar bravamente contra os filisteus ao lado do rei e de seus filhos, obtendo muitas vitórias. O povo começou a amá-lo e a ovacioná-lo quando retornavam de alguma batalha dizendo: "Saul matou mil. Davi matou 10 mil."

Isso provocou ciúme e raiva no Rei Saul, que já sentia-se ameaçado ao perceber que estava perdendo as graças de Deus. Ele desconfiava que não conseguiria deixar o trono para nenhum de seus descendentes e por isso passou a perseguir Davi, como se o jovem representasse fisicamente essa ameaça.

Ele então ofereceu a mão de sua filha Micol, que realmente o amava, caso ele conseguisse matar 100 filisteus. Era na verdade uma armadilha para que Davi fosse morto pelos inimigos. Mas Davi voltou tendo matado 200 filisteus, e se casou com Micol.

Saul compreendeu que o Senhor estava realmente ao lado de Davi, e sua ira cresceu ainda mais.
ISm 18, 1-30
 
 
 

Três Homens em Conflito

"Três Homens em Conflito", de 1966, é o terceiro filme da Trilogia dos Dólares e é a maior obra do diretor italiano Sergio Leone, mestre do gênero faroeste espaguete.
 
O título original é "Il Buono, il brutto, il caitivo", The Good, the Bad and the Ugly, ou "O Bom, o Mau e o Feio.
 
 
 
 
 
Trazendo a brilhante e conhecidíssima trilha sonora do compositor também italiano Ennio Morricone, o filme tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana no ano de 1862.
Os três homens em questão são três pistoleiros anti-heróis que estão à procura de uma grande quantia de ouro dos soldados confederados escondida em um cemitério.
 
São eles: Blondie (Lourinho), o Bom, vivido pelo ator Clint Eastwood, Angel Eyes, o Mal, e Tuco, o Feio, um mexicano brilhantemente interpretado por Eli Wallach.
 
Esse super clássico do gênero é simplesmente obrigatório.

O Nascimento de Uma Nação

"O Nascimento de Uma Nação" é um filme de 1915, do diretor americano D. W. Griffith, ambientado entre os anos de 1860 e 1871, que fala da Guerra Civil Americana, do processo abolicionista e da ascenção da Ku Klux Clan.



O filme é uma adaptação da peça teatral "The Clansman" (O Membro do Clã), de 1905, do reverendo Thomas Dixon Jr.

Cabiria

O filme italiano Cabiria, de 1914, do diretor Giovanni Pastrone,  foi uma superprodução grandiosíssima para a época, exibida para pessoas dos mais altos escalões em vários países, inclusive nos EUA, quando foi apresentado na Casa Branca para o então presidente Woodrow Wilson.
 
A história se passa entre os anos 218-202 a.C, durante o período da Segunda Guerra Púnica, entre o Império Romano e Cartago (onde é a atual Tunísia).
 
 
 
Cabiria é uma garotinha no início do filme. Ela sobrevive a uma enorme erupção do vulcão Etna, que fica na Sicília, Itália, junto com sua babá, que a protege de ser vendida como escrava, onde seria entregue em sacrifício ao deus (demônio) Moloch.
 
Quem já leu o Antigo Testamento sabe o quanto essa entidade Moloch é citada como sendo um ser horrível e nojento.
 

Arquimedis e o Cerco a Siracusa

 
O filme mostra também o cientista Arquimedes (287-212 a.C.), da cidade de Siracusa, na Sicília, que hoje pertence à Itália, mas que na época fazia parte da Magna Grécia (conjunto de colônias gregas que formavam a Hélade).


Arquimedes

Ator Enrico Gemelli como Arquimedes
 
 
Arquimedes era matemático, físico, astrônomo, engenheiro, e deixou enormes contribuições à ciência sobretudo no campo da engenharia.
 
Suas invenções bélicas também foram relevantes e no filme ele aparece desenvolvendo e aplicando sua invenção chamada "raio de calor de Arquimedes", que consistia de um conjunto de espelhos que devidamente posicionado conseguia atear fogo em determinados locais por refletir a luz solar.
 
O dispositivo foi usado contra os navios romanos durante o Cerco a Siracusa (214-212 a.C.), assim como várias outras invenções do cientista.

Sansão e Dalila

O filme "Sansão e Dalila", de 1949, mais um épico do diretor americano Cecil B. DeMille, retrata brilhantemente a história bíblica de um dos últimos juízes dos hebreus e da mulher filisteia que o traiu por interesse.
 
Sansão é vivido pelo ator Victor Mature e quem dá vida à bela Dalila é Hedy Lamarr.
 
 
 
 
Algumas adaptações foram feitas na história para torná-la mais romântica e ainda mais impressionante do que a versão original contada no Antigo Testamento, nos Livro dos Juízes, capítulos 13 a 16, o segundo dos 16 livros do grupo dos Livros Históricos.
 
No filme, Dalila é a irmã mais nova da primeira esposa filisteia de Sansão, o que não corresponde à história original.

 

A Versão Bíblica

 
Por volta de 1.170 a.C, quando os hebreus já haviam chegado à Terra Prometida, as novas gerações afastaram-se da aliança que seus antepassados tinham feito com o Senhor Deus e começaram a pecar contra Ele.
 
O Senhor manda então os filisteus como castigo. Mas ao mesmo tempo envia também um líder para defender seu povo: Sansão, um dos últimos Juízes.
 
Seu pai se chamava Manué, da tribo de Dã, e sua mãe era estéril. O casal recebeu a visita de um anjo de Deus que disse que ela iria dar à luz um menino que seria nazareno, e por isso a navalha não poderia tocar sua cabeça (Jz 13, 5), ou seja, seus cabelos jamais poderiam ser cortados.
 
Sansão era respeitado e possuía uma força sobre-humana vinda  de seus longos cabelos. Um dia ele se apaixonou por uma mulher filisteia, e a pediu em casamento.
 

O Enigma do Casamento

 
Nas vésperas do casamento Sansão se deparou com um leão, e não tinha nada para lutar contra ele além de suas próprias mãos. E foi com elas que ele conseguiu despedaça-lo como se ele fosse um cabrito.
 
No dia do casamento ele passou novamente para ver o cadáver do leão e encontrou em sua boca um enxame de abelhas com mel.
 
Durante a festa de seu casamento, que duraria 7 dias, ele propôs um enigma aos 30 convidados filisteus. Se eles adivinhassem, ele lhes daria 30 túnicas finas. Do contrário, eles é quem lhe dariam as túnicas.
 
O enigma era: " Do que come saiu o que se come; do forte saiu doçura."
 
No quarto dia da festa os convidados foram até a esposa de Sansão e a pressionaram para descobrir o segredo, ameaçando queimar a casa com ela e o pai dentro. Ela então passou a insistir muito com ele até que Sansão contou a resposta do enigma.
 
Ela então revelou o segredo e quando Sansão percebeu o que havia acontecido e que ele tinha perdido a aposta por causa das ameaças contra sua esposa, ficou irado e foi dominado pelo Espírito do Senhor (Jz 14, 19). Ele então matou 30 filisteus para tomar-lhes as túnicas e dá-las aos convidados como pagamento.
 
Voltou para a casa de seu pai, deixando para trás sua mulher, que foi dada como esposa a um dos convidados.
 
Passou um tempo e Sansão, já mais calmo, foi procurar novamente a sua mulher. O pai da moça contou que ela já estava casada com outro, e lhe ofereceu então sua filha mais nova em casamento.
 
Sansão então ficou ainda mais irado e colocou fogo no estoque de trigo dos filisteus, amarrando 300 raposas duas a duas pela cauda e atando uma tocha entre elas.
 
Por esse motivo os filisteus queimaram a mulher de Sansão juntamente com seu pai. A resposta de Sansão foi ainda mais violenta e depois de concluir sua vingança ele foi viver recluso em uma gruta.

Temendo a dura represália dos filisteus, os próprios homens de Judá entregaram-no preso. Mas Sansão se livrou das cordas que o amarravam e com a carcaça de um jumento feriu mil homens.
 
Dali em diante o deixaram temporariamente em paz e ele foi juiz em Israel por 20 anos. (Jz, 15,20)
 

Sansão Conhece Dalila

 
Depois de um tempo, vivendo em Gaza, ele se interessou novamente por uma mulher filisteia chamada Dalila e passou a viver com ela. Os príncipes filisteus ofereceram à moça uma verdadeira fortuna caso ela descobrisse de onde vinha aquela força descomunal.
 
A bela Dalila era muito ambiciosa e logo aceitou a proposta, mas Sansão, que também não era tão ingênuo, nunca lhe revelava a verdade e ficava inventando explicações que não eram verdadeiras.
 
Mas ela o incomodava tanto com aquelas perguntas que um belo dia ele já cansado de inventar estórias, acabou contando a verdade sobre seus cabelos, e esse foi então seu maior erro, pois ela não demorou em cortar suas longas e poderosas madeixas para receber seu pagamento.
 
Fraco, Sansão foi preso, seus olhos foram furados e ele passou a trabalhar como escravo girando a máquina de moer grãos.
 
Os filisteus, regozijando-se por terem vencido seu maior inimigo, quiseram humilhá-lo ainda mais e o fizeram dançar diante deles no templo, que estava lotado com 3 mil pessoas. Mas Sansão pediu a Deus que mais uma vez lhe concedesse sua força e pediu para tocar as duas colunas que sustentavam o templo.
 
O Senhor atendeu seu pedido e Sansão com uma mão em cada coluna fez ruir o templo, matando a si e a todos os que lá estavam. Jz, 16, 30.


As duas colunas derrubadas por Sansão podem ser associadas às duas colunas Jaquim e Boaz, do templo de Salomão (IRs 7, 21), e que são um símbolo da maçonaria.

Colunas Maçônicas Jaquin e Boaz
 

 

A Queda de Troia

O curta-metragem italiano de 30 minutos "La Caduta di Troia", do diretor Giovanni Pastrone, foi apresentado pela primeira vez em 1911.

Ele conta a história dos últimos momentos da cidade de Troia, depois de ser atacada pelos Aqueus, os povos que viviam na Grécia no período de aproximadamente 1.200 a.C.



O diretor Giovanni Pastrone (1883-1959) foi um dos pioneiros mais inovadores do cinema. Começou a trabalhar em 1905, aos 22 anos de idade, como Assistente Administrativo na área de Contabilidade da empresa Carlo Rossi & Company, em Turim, na Itália.
 
Em 1907 tornou-se Diretor Administrativo da empresa, que passou a se chamar Italia Film em 1908 . Ele passou a ser sócio proprietário e reformulou o processo de produção de filmes.
 
Antes de "A Queda de Troia", Pastrone já tinha dirigido outros 3 curtas, mas esse foi o primeiro filme de 30 minutos sem interrupções produzido até então.


Giovanni Pastrone (1883-1959)

O estilo do filme é bem "operesco", mas com muita qualidade técnica para os recursos da época. Esse filme ainda usava planos ou enquadramentos fixos. Pastrone foi pioneiro no recurso de deslocamento da câmera sobre carrinho, mas ele só viria a usar essa técnica no filme "Cabiria", de 1914, um de seus maiores sucessos.


 
 
 

O Rei Harishchandra

O filme mudo "O Rei Harishchandra", de 1913, dirigido por D. G. Phalke (1870 - 1944), foi o primeiro épico indiano produzido, marcando o início da indústria cinematográfica no país.
 
Na época Phalke tinha assistido a uma obra sobre a vida de Cristo e ficara muito impressionado. Assim ele aprendeu as técnicas rudimentares de filmagem valendo-se de um elenco totalmente amador para realizar esse épico baseado na mitologia hindu.
 
A película possui aproximadamente 40 minutos mas infelizmente apenas uma parte da obra foi preservada.



O Rei Harishandra é citado em antigos poemas épicos de conteúdo moral e filosófico como o Mahabharata e o Ramayana. Ele é considerado um símbolo do apreço pela "verdade", mesmo que isso tenha lhe custado muito caro, como o afastamento da sua família e a perda de seu reino.

 
Não existe nenhuma precisão histórica sobre a sua existência e menos ainda sobre o período em que ele teria existido, mas os textos dos poemas datam de 1700 a 1100 a.C., sendo que a transmissão oral de seus conteúdos remonta de muito antes.
 
O advogado e líder indiano Mahatma Gandhi tinha Harishchandra como uma grande influência em sua vida. Daí a origem do símbolo de sua resistência pacífica na campanha de independência da Índia, a Satyagraha (Satya: Verdade, e Agraha: firmeza, constância).
 
 
Mahatma Gandhi (1869 - 1948)