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Electra - A Vingadora

Micenas, Grécia, século XVIII a. C.

De acordo com a mitologia grega, após a vitória sobre a cidade de Tróia, o rei Agamenon volta para casa aclamado por seu povo, tendo lutado numa guerra que durou dez anos, por causa inicialmente do rapto de Helena, esposa de seu irmão Menelau.

Porém, enquanto estava na guerra, sua esposa Clitemnestra, irmã mais velha de Helena, passa a ter um caso amoroso com Egisto, sobrinho de Agamenon, e, junto com ele, ela realiza do assassinato do marido.

Os dois filhos de Clitemnestra com Agamenon, Electra e Orestes, foram poupados, mas o filho foi expulso do país ainda menino, e Electra, um pouco mais velha,  ficou presa no castelo em Micenas, até que, já em idade adulta, foi entregue em casamento com um pobre e velho camponês, e exilada na ciade de Argos, a poucos quilometros de Micenas, onde alimentaria um sentimento de rancor e forte desejo de vingança.

A história dessa vingança está contada no filme Electra, a Vingadora, de 1961, em preto e branco, do diretor grego Michael Cacoyannis.

 

Sendo bem sincera, esse não é um filme muito fácil de ser assistido como entretenimento. É bastante denso, tem poucos diálogos, longos silêncios e foi filmado bem no estilo teatral das tragédias gregas.
 
Agora, para quem quer conhecer a história, que é bem interessante e emblemática, vale muito a pena assistir. Ela é baseada nas peça homônimas dos escritores gregos Sófocles e Eurípedes.
 
Clitemnestra teve ainda uma outra filha, Ifigênia, que foi sacrificada por Agamenon antes de partir para a guerra de Tróia. Ele mentiu para a esposa dizendo que Ifigênia seria levada para casar-se com Aquiles, mas na verdade ela iria mesmo seguir para o sacrifício. Esse teria sido o verdadeiro motivo de Clitemnestra ter arquitetado a morte de seu marido.
 
O grande amor de Electra por seu pai Agamenon, fez com que ela se voltasse violentamente contra a própria mãe. Na psicanálise esse amor é conhecido como Complexo de Electra, a versão feminina do Complexo de Édipo.
 
A história da guerra entre Grécia e Tróia já foi contada aqui no blog na postagem do filme Tróia.
 
 

Tróia

Grécia, século VIII a.C.

O poeta grego Homero escreve os poemas Ilíada e Odisseia, relatando no primeiro, a Ilíada,  como ocorreu a guerra entre gregos e troianos, cujo estopim foi o rapto de Helena, princesa de Esparta, na Grécia, por Páris, príncipe de Tróia, e no segundo, Odisseia, como foi a viagem de volta para a Grécia, após a guerra, do rei e guerreiro Ulisses, ou Odisseu.

E é sobre a primeira estória, a Ilíada, que se refere o filme TRÓIA, que inaugura o ciclo de postagens sobre Grécia Antiga, esse fascinante tema.



A Ilíada conta a estória da lendária guerra entre a Grécia e cidade de Tróia, situada onde hoje é a Turquia, que teria ocorrido por volta do ano 1200 a.C.

Menelau, rei da cidade grega de Esparta, irmão do bravo guerreiro Agamenon, rei de Micenas, era casado com a bela Helena. Ele estava recebendo a visita amistosa dos príncipes de Tróia, Heitor e Páris, filhos do rei Príamo.

Porém Páris, o mais novo, se apaixona por Helena e a leva com ele na sua viagem de volta para Tróia. Enfurecido, o rei Menelau pede a ajuda do irmão, Agamenon, e de todos os outros reis e guerreiros gregos, para trazer Helena de volta. Além desse motivo, também era interesse de Agamenon conquistar o poder sobre a cidade de Tróia.

Entre os principais guerreiros gregos estavam Aquiles e Ulisses.

Aquiles, (vivido no filme por Brad Pitt) nasceu na cidade de Larissa e era o mais brilhante guerreiro aliado de Agamenon. Estava em busca de fama e notoriedade, desejando que seu nome fosse lembrado por toda a eternidade. Ele viveria um romance com Briseida, a prima de Heitor e Páris, e sacerdotisa do templo de Apolo, que havia sido raptada pelos gregos.

Ulisses, também conhecido como Odisseu, era da ilha de Ítaca. Aliou-se a Agamenon temendo pela segurança de sua região, caso ficasse contra o poderoso rei.

Eis que se inicia a guerra que duraria longos dez anos. Ao final, com o exército grego já bastante desgastado por não conseguir invadir os muros da cidade de Tróia, Ulisses tem a grande ideia de construir um cavalo de madeira e oferecer presente a Tróia, dando a entender que a Grécia estava batendo em retirada, aceitando sua derrota.

No entanto, ao colocar o cavalo de madeira conhecido hoje em dia como "presente de grego" para dentro da cidade, Tróia permitiu que os guerreiros gregos escondidos dentro dele abrissem os portões para o restante do exército que também estava escondido perto dali, tomando assim a cidade definitivamente.

Um sobrinho do rei Príamo, Enéas, conseguiria escapar do incêndio de Troia e fugir pelo mar Mediterrâneo, vindo a fundar futuramente a cidade de Roma, como relatado no poema Eneida, de Virgílio.


Um pouco mais sobre a Grécia Antiga antes dos Poemas Homéricos:

Localização -  quando falamos da Grécia de 3.000 anos atrás estamos falando do mundo mediterrânico, ou da Hélade, formada pelos seguintes locais:

- sul dos Balcãs (Grécia continental)
- Península do Peloponeso (Grécia peninsular)
- ilhas do Mar Egeu (Grécia insular)
- colônias na costa da Ásia Menor e no sul da Península Itálica (Magna Grécia)

Períodos - a história da Grécia antiga é dividida em dois grandes períodos, com duas subdivisões cada um:

- História Creto-Micênica (2000 a.C - VIII a. C)
  • período Pré-Homérico
  • período Homérico
- História da Pólis (VIII a. C - II a. C)
  • período Arcaico
  • período Clássico

Período Pré-Homérico:

Vai do apogeu à decadência da população da ilha de Creta, a maior ilha do mar Egeu, que foi povoada por tribos provenientes da Ásia Menor, formando a sociedade cretense ou minoica.

Creta também é conhecida por causa do mito do Minotauro.

Minotauro


Entre 3000 e 2000 a. C, os povos aqueus chegaram à Hélade (Grécia Antiga), onde fundaram a cidade de Micenas e a civilização micênica. Nesse período predominava a talassocracia, ou governo dos mares.

Entre 2000  e 1200 a. C os povos eólios e jônios atingiram a Península Balcânica, e invadiram a ilha de Creta de maneira pacífica.

Por volta de 1400 a. C os aqueu (micênicos, ou vindos da cidade de Micenas) dominaram os cretenses, formando a civilização creto-micênica, e o foco passa da ilha para o continente.

Então, por volta de 1300 e 1200 a. C, chegam um dos povos mais importantes da época, os dórios, formados por bravos guerreiros que destruíram a civilização creto-micênica e conquistaram a Grécia, pondo fim à Idade do Bronze e dando início à Idade Grega das Trevas.

Nesse período ocorreu a Primeira Diáspora Grega, ou seja, a migração dos gregos que saíram em fuga para outros lugares, favorecendo a dispersão da cultura grega.


Período Homérico:

Esses períodos recebem os nomes de Homérico e Pré-Homérico por causa dos poemas escritos pelo poeta grego Homero, a Ilíada e a Odisseia, os quais são uma das maiores fontes de informação daquela época.

Homero
 
 
Nesse período inicia-se a constituição das comunidades gentílicas, formadas pelos genos (famílias), cuja autoridade máxima era o pater, e a unidade econômica era o Oiko.

A principal atividade econômica era a agrícola e ocorreu o aparecimento da propriedade privada e da aristocracia.

O crescimento populacional, o enfraquecimento do solo e a disputa por terras provocaram a Segunda Diáspora Grega.

A sociedade gentílica não possuía um governo, então,  por volta do século VIII a. C, começaram a surgir as cidades-Estados, ou Pólis, marcando o início do segundo grande período da história da Grécia Antiga, a História da Pólis, do qual falaremos em outras postagens.